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ESPECIAL INDOMIT COSTA ESMERALDA - ÂNGELA STURZBECHER E FÁBIO PIEDADE

  • 11 de nov. de 2015
  • 3 min de leitura

Foram três meses de preparação, treinos diários e mais o longo no morro da glória em Poa praticamente todos os finais de semana. Acordar às 4:30 da manhã com chuva geralmente, não nos assustava, minha rodagem era sempre maior então o Fábio acabava o treino dele e ficava no carro esperando eu terminar a minha. Ele treinando para os 21 km e eu para os 100 km do Indomit Costa Esmeralda.


Infelizmente, alguns contratempos sempre ocorrem, como lesões nas panturrilhas para o Fábio e lesões nas canelas para mim. Alguns treinos não foram concluídos e repouso foi a palavra de ordem nas semanas que antecediam a prova, mas isso não nos assustou. Sempre dizíamos que estavámos aptos a realizar o tal feito e assim seguimos firme na meta.


Chegado o dia da festa, A PROVA, a largada dos 100 km à meia noite e dos 21 km às 11 hrs. Larguei literalmente as escuras, prova dura, longa, e linda, onde as dores eram inevitáveis mas foram superadas. Enquanto eu passava pelo 60 km acontecia a largada dos 21 km, sol forte, maré alta, e lá foi o Fábio se tornar um indomável nos 21 km, trechos de lama, subidas, descidas, pedras, riachos, praias fechavam o cardápio desta bela prova!


Para mim, a luta da mente contra o corpo iniciou no km 3 de prova. A situação não estava boa para o meu lado. Chegando no primeiro morro, trilhas na lama, no escuro, entre raízes, o resultado era chão, lá pelo quinto tombo parei de contar, e segui entre trotes e caminhadas, conversando aqui e ali até chegar no primeiro posto de abastecimento, ali me senti bem, corpo aquecido, sem dores, NAO ACREDITEI, soquei a bota! E fui naquela escuridão de estrada de chão, trupicando mas não caindo!!


No km 40 a coisa mudou de figura, as dores voltaram com tudo, então parei no posto de abastecimento refiz minha suplementação, e nisso vejo dois amigos e mais alguns corredores que optaram em parar, fiquei um pouco preocupada, pensei, será que tah tão ruim assim?! Meu Deus, bem, vou mais um pouco, e assim saí cambaleante estrada à fora... Uma corredora ao me ver parou perguntado se poderíamos seguir juntas e ali fomos, logo outro corredor se juntou a nós e formamos um trio, pelo meu nipe perguntaram se eu queria um Advil, adivinha?! Hahahaha!! SIMM!!


Em uma subida pelo km 46/50 deixei meus companheiros e segui, aproveitando o efeito do remédio. Trilhas escorregadias, pedras, muitos tropeços, torci o pé, e segui o baile. Lá pelo km 64/70 outra companhia pelas praias, o guri me contava que treinava pouco e corria na fé, ali a musculatura tava travada, nosso trote era algo engraçado. Na descida do Morro do Macaco segui sozinha, já estava dominada pela dor, e queria apenas chegar.


No km 80 eu já tinha ligado o automático, joelho, pé, dedo, canelas... estava trash... Segui pela praia, mais um morro, mais lama... Mas a coisa piorou nos últimos km, chorei, estava difícil demais suportar tudo doendo, eu parecia sei lá o que me contorcendo pra conseguir chegar, podia parecer tudo, menos corrida. Enfim ouço, faltam 800 metros! Cheguei... Eu disse CHEGUEI!!! E tudo passou pela minha mente, as trilhas e paisagens maravilhosas, os amigos que tive o prazer de ver durante a prova, os amigos que fiz durante a prova, e uma vitória da mente contra o corpo!




O Fábio completou os 21 km e eu completei os 100 km. Chegamos cansados, sempre cogitando que poderíamos ter feito mais e melhor, e é por isso que existem outros dias e outras provas!! Agradecimentos especiais ao meu treinador Cleimar Rodrigo Tomazelli e aos amigos de treinos do Morro da Glória, sem eles eu nunca teria conseguido!


 
 
 

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