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ESPECIAL TRC CORUPÁ - FELIPE ARANHA

  • 3 de mar. de 2016
  • 3 min de leitura

Foi um mês de base e dois de preparação com treinos específicos para essa prova. Vários treinos longos de 30 a 40 km, alguns em ritmo forte, outros com boa altimetria e outros em terrenos bastante irregulares. A preparação física também não deixou a desejar, o treinamento funcional na BPro estava encaixado para que o desempenho nos morros melhorasse. Alimentação, osteopatia, acupuntura e quiropraxia com a parceria de Augusto Moreno, deixaram tudo ainda melhor.


Parecia que seria a prova perfeita. Mas não foi bem o que aconteceu. Não adianta todo o preparo do mundo quando nos deparamos com a força da natureza. Corupá fica cercada de morros e o calor e pressão do ar ficam presos dentro da cidade, o que pode ser sentido assim que descemos do carro. Um amigo treinador, que já havia participado da prova, me alertou, então fiz questão de levar diversas cápsulas de sal, com intenção de auxiliar na hidratação e evitar câimbras e mal estar. O gelo que havíamos comprado na noite anterior já estava descongelado pela manhã, acabei ficando com 2 litros de água e 500 ml de isotônico mornos na mochila. Por um instante cheguei a ficar preocupado, mas como sou resistente ao calor deixei pra lá e fui pra largada.


Havia tirado a clássica faixa que utilizo em todas as provas logo no início pois estava com muito calor, mas depois de alguns quilômetros correndo já estava suando muito e tive que colocar de volta pra reter o suor nos olhos. Enquanto estava na estrada de chão o calor era suportável. Pelo horário, o sol não estava tão forte e tinha um pouco de vento fresquinho. Quando entramos nas trilhas fechadas, o bafo começou a fazer efeito e prejudicar a respiração. A falta de oxigênio não me deixava manter o ritmo de corrida, me obrigando a correr em fartlek, tendo que parar pra caminhar a cada vez que começava a sentir tonturas. Fui pegar as capsulas de sal e me deparo a caixinha vazia, pois todas tinham caído no bolso da mochila e derretido completamente com o suor. Além de não conseguir repor o sódio, comecei a me abalar psicologicamente.


A partir dai começaram as câimbras e tonturas leves, que acredito que possam ter me tirado um pouco os reflexos. Lá pelo km 20, quando fui passar por baixo de um tronco caído no meio da trilha, bati a cabeça em um galho quebrado, o que gerou um corte na nuca que sangrou um pouco. Ao olhar pra trás pra entender no que havia batido, acabei me grudando em um galho (me disseram ser um tal de lambe-lambe), que me cortou todo o pescoço, ardendo muito. Mesmo com todos os problemas segui, pois nunca havia desistido de uma prova e não seria agora que me sentia muito bem treinado.


Como parecia que minha pressão estava ficando cada vez mais baixa, me dando até enjoos, acabei parando no penúltimo staff no km 25 pra ver como estava, pois sabia que o próximo seria muito além e o trecho de prova que estava a seguir era pra ser o mais difícil. Como me sentia fraco psicologicamente, torci para que o profissional que estava medindo a pressão dissesse que estava tudo bem para poder seguir em frente. Ele notou a pressão baixa, disse que poderia ser devido ao esforço, que até poderia seguir mas que não recomendava. Quando viu o corte na minha cabeça, lavou e pode ter certeza do tamanho da pancada. Disse então que não poderia deixar eu seguir daquele jeito, o corte era fundo. Precisei ir direto para um posto médico e tomar 4 pontos. A prova simplesmente acabava pra mim.


Apesar de ter batido a cabeça e ser obrigado a desistir da prova, isso não me abalou e nem me fez ficar com raiva da organização. As pessoas estão muito mal acostumadas e valorizam mais as "frescuras" que algumas organizações fornecem aos competidores e se esquecem de curtir o lugar e o evento em si. Lanchinho, kit, medalha, pódio, nada disso representa o que uma prova num lugar desses pode proporcionar. Sejam menos críticos e curtam mais, tudo tem seu lado bom e ruim, lembrem que as dificuldades nos fazem corredores melhores. Antes de culpar a organização sempre pensem antes, será que eu estava preparado para esse desafio?


 
 
 

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